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  • Estudo comparativo entre o sistema construtivo em alvenaria estrutural e alvenaria convencional com blocos cerâmicos em habitações populares

    O artigo abaixo foi desenvolvido à partir do trabalho de conclusão de curso de Engenharia Civil Romário Ferreira Martins, autor do Blog Universo Engenharia.
    Lembrando que este é somente uma pequena partícula do trabalho, visando apresentar tão somente o “porquê” o “como” e os resultados obtidos no estudo.
    RESUMO
    Os altos investimentos em habitações populares, e o modelo de negócios consolidado na construção civil brasileira que baseia-se num mercado competitivo e tecnológico, tem fomentado a busca e o desenvolvimento de sistemas construtivos que alie redução no prazo de execução, custo final reduzido e qualidade do produto final.
    Dentro desse contexto encontra-se a alvenaria estrutural, que através de estudos tem se colocado em lugar de destaque, em relação à outros sistemas, por possuir diferenciais como: modulação de projetos e redução no prazo de execução.
    A análise de custos tem sido muito comentada atualmente no cenário nacional, onde vários autores declaram que a alvenaria estrutural é mais viável financeiramente principalmente quando comparado com o sistema construtivo convencional em concreto armado, não obstante disso o fator preponderante quando analisado qualquer tipo de empreendimento é a conhecida “viabilidade técnica-financeira”, essa via de duas mãos aliada com outros aspectos é quem dita a escolha do sistema construtivo a ser empregado na construção de qualquer
    empreendimento. Partindo desse pressuposto, surgiu o interesse em desenvolver um estudo comparativo entre o sistema construtivo em alvenaria estrutural e o sistema construtivo convencional (concreto armado), e para tal, foi desenvolvido um estudo de caso à partir do projeto da construção em série de sobrados geminados,
    onde é feito a comparação de custos entre os dois sistemas construtivos.
    Palavras chaves: alvenaria estrutural, alvenaria convencional, habitações populares.


     INTRODUÇÃO
     
    1.  JUSTIFICATIVA

             Segundo Medeiros  (2007),  a  questão habitacional é de extrema importância social e política na maioria das sociedades; ela se apresenta como um dos fatores mais importantes na criação de justiça social, saúde pública e estímulo ao crescimento econômico entre outros.                                                          
    “Segundo Jordan (2004) as estimativas são que na América do Sul as necessidades habitacionais representam aproximadamente 38 milhões de unidades.
    Destas, 45% são quantitativas, ou seja, dependem da produção de novas unidades, e o restante é qualitativa, ou seja, relacionadas à necessidade de melhoramentos das unidades. O Brasil é responsável pela maioria deste percentual que, segundo Vasconcelos; Cândido Júnior (1996) se aproxima de 20 milhões de pessoas que não dispõem de moradias  adequadas, dos quais 70% se encontram em áreas urbanas. O World Bank (2002) estima que 22% da população brasileira se encontram abaixo da linha de pobreza, sendo que toda a sua renda, ou a maioria dela, destinada à alimentação, e que a maioria das novas famílias entrantes no mercado habitacional não tem renda suficiente para ter acesso a financiamentos habitacionais a juros de mercado.“
    (Medeiros, 2007, p.1)
    O mercado habitacional constantemente sofre intervenção direta do Estado através de políticas e subsídios, como é o caso do Brasil.
    O Brasil apresenta um enorme déficit habitacional, e isto tem feito com que o governo federal ofereça subsídios e programas habitacionais para a população de baixa renda, com a função de oferecer moradias a um “custo mais baixo” ou facilidade em financiamentos para a aquisição de moradias, exemplo disso é o programa “Minha casa minha vida” que teve início no segundo mandato do Presidente Luís Inácio Lula da Silva, ao qual inicialmente tinha o objetivo da construção de um milhão de residências.(MINISTÉRIO DA FAZENDA,2009)
    Atualmente foi ampliado pela gestão da atual Presidenta Dilma Rousseff para dois milhões de residências até 2014.(PORTAL R7,2011)
    Segundo o portal R7 de notícias, em 2011, a primeira etapa do programa teve 1.079.689 moradias contratadas, 8% a mais do que a meta do governo de 1 milhão de casas. (PORTAL R7,2011)
    Segundo  o colunista da revista Veja Reinaldo Azevedo, “números consolidados do TCU indicam que foram efetivamente construídas 238.000 casas, ou seja, para completar o primeiro milhão  faltam 762.000 casas.(Veja,2011)
    Do montante total contratado, cerca de 25% somente foi construído até o momento  de  (12/2010), ou seja, do plano inicial falta construir 762.000 moradias e com o pacote atual que amplia em mais um milhão, aumenta o número de 1.762.000 casas, se utilizarmos o raciocínio lógico em uma simples regra de três, obtemos: 238.000 casas em 1 ano e nove meses (21 meses), 1.762.000,00 casas em 12,95 anos (155 meses), ou seja se seguirmos o ritmo atual de construção, a construção de 2.000.000 de casas só se dará em 2024, para manter o que foi prometido pela Presidenta Dilma Roussef, teríamos que aumentar em cerca de 3,24 vezes o ritmo atual, para que a meta possa contar com chance de ser alcançada.
    Segundo a revista Exame  (2011), no Brasil “7,2 milhões, é o total do déficit habitacional hoje, somando as famílias que coabitam e as que vivem em residências precárias”. No Paraná, o déficit habitacional absoluto, segundo a Fundação João Pinheiro (MG), é de 260.648 domicílios (229.069 urbanos  - 31.579 rurais) e o déficit relativo do estado é de 9,8%. 
    Medeiros  & Sabbatini (apud Araújo, 1995) afirmam que a principal vantagem da alvenaria estrutural é sua capacidade de racionalização em todas as etapas da construção,  utilizando-se para isso de recursos humanos e materiais.
    Segundo  BRICKA (2011),  “Alvenaria estrutural é o sistema construtivo de menor custo do mercado brasileiro. Enxuga em até 30% o valor final de qualquer tipo de obra, com impacto ainda maior em construções verticalizadas”.
    Segundo Ramalho & Corrêa  (2003), “nos casos usuais, o acréscimo de custo para a produção da alvenaria estrutural compensa com folga a economia que se obtém com a retirada dos pilares e vigas.” 
    A estabilização da economia gera concorrência no mercado e o setor da construção absorve grande parte dessa movimentação financeira. A demanda no mercado da construção, além de acelerar a execução das obras, interfere
    na produção como um conjunto, inclusive nos orçamentos que viabilizam a obra  financeiramente. Ou seja, a análise de custo é fator determinante para a execução das obras.
    A mão de obra no Brasil encontra-se em escassez, estamos próximos da Copa do Mundo e das Olímpiadas, e serão muitas as obras de infraestrutura das cidades que sediarão os eventos; há as obras financiadas pelo PAC  II (Plano de aceleração do crescimento segunda etapa), entre muitas outras. O Brasil no momento pode-se dizer que é um grande “Canteiro de obras”, se fazendo da necessidade de todos os tipos de profissionais envolvidos direta ou indiretamente no ramo da construção.
    Uma análise comparativa entre o Sistema construtivo em alvenaria estrutural e o de alvenaria de vedação em habitações populares se faz necessário para obtenção de dados que venham à nortear de maneira eficiente a utilização dos recursos, tanto material como humano.
    2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
    2.1  Estudo de Caso

    A obra do  estudo  de caso  é  um projeto padrão COHAB e  trata-se  de sobrados  geminados os quais possuem plantas idênticas,  o edifício de alvenaria estrutural tem o pavimento  térreo apoiado sobre radier, e o superior apoiado em laje de concreto armado, que por sua vez, se apoiam em paredes de alvenaria estrutural de blocos cerâmicos.  Já o de alvenaria convencional tem térreo apoiado sobre radier, e o superior  apoiado em laje de concreto armado, que por sua vez, é apoiado em vigas e pilares.

    O projeto em alvenaria estrutural foi conseguido através de uma empresa de Construção, e o projeto em alvenaria convencional foi desenvolvido pelo aluno com o auxílio da orientadora do TCC.

    O estudo de caso foi originado com a função de responder a seguinte questão: Comparando o sistema construtivo em alvenaria estrutural com o em alvenaria de vedação de blocos cerâmicos, qual o mais viável financeiramente em habitações populares no estado do Paraná?
    2.2  Metodologia

    Seguem abaixo os procedimentos adotados para resolução da questão anterior:

    a)  Em primeiro lugar foi feito o levantamento quantitativo do projeto em alvenaria estrutural.  Para isso foi adotado o procedimento descrito na Figura 1, abaixo:

    FIGURA 1 – PROCEDIMENTO ADOTADO – ALVENARIA ESTRUTURAL
    image
    FONTE: MARTINS, 2011.
    b)  Posteriormente foi  realizado o levantamento  quantitativo  do projeto em alvenaria convencional.  Para isso foi adotado o procedimento descrito na Figura 2, abaixo:
    FIGURA 1 – PROCEDIMENTO ADOTADO – ALVENARIA ESTRUTURAL
    image
    FONTE: MARTINS, 2011.
    c)  Para obtenção da composição de custos foram utilizados os preços que constam na tabela do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, (SINAPI – PR), de Julho de 2011. (SINAPI, 2011)
    3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

    De acordo com a metodologia  utilizada no estudo de caso, conseguiu-se angariar subsídios suficientes para tecer discussões e resultados de maneira coerente, segue abaixo os resultados obtidos:

    a)  A  Tabela 1 abaixo,  representa  o total  do  levantamento quantitativo e financeiro da obra em alvenaria estrutural.
    TABELA 1 – RESUMO – CUSTO TOTAL – ALVENARIA ESTRUTURAL
    image
    FONTE: MARTINS, 2011.

    O Gráfico 1 abaixo,  representa os resultados descritos acima na Tabela 1.

    GRÁFICO 1 – PARCELAS CORRESPONDENTES AOS CUSTOS DOS BLOCOS, GRAUTE,
    CONCRETO, AÇO E FORMAS EM ALVENARIA ESTRUTURAL NO ESTUDO DE CASO  –
    2011. 
    image
    FONTE: MARTINS,2011.
    Nota-se que o item que representa o maior custo do sistema construtivo em alvenaria estrutural no estudo de caso, em comparação aos demais analisados foi o bloco cerâmico estrutural respondendo por 34% do montante total, em segundo as formas com 23%, seguido pelo aço com 21% e o concreto com 19%. Observou-se que o ítem com menor participação foi o graute, isso é devido a utilização  da alvenaria estrutural  não armada, pois o mesmo foi colocado somente em zonas de tração como vergas e vigas de respaldo da laje e  cobertura, como a edificação possui pouca altura, as ações sofridas por
    ações de vento, ou cargas excêntricas entre outras não são capazes de gerar esforços de tração que venham a ser maiores que os esforços resistivos do elemento parede da edificação, assim sendo, a alvenaria no estudo de caso é em essência não armada, a utilização do aço na alvenaria armada pode comprometer a viabilidade financeira do empreendimento, pois o aço muitas vezes inflam o   orçamento, além de trabalhar muito aquém de sua verdadeira capacidade.
     
    No sistema construtivo em alvenaria convencional, também foi desenvolvida a mesma análise e foi gerada a Tabela 2, abaixo:
    TABELA 2 – RESUMO - CUSTO TOTAL – ALVENARIA CONVENCIONAL
    image
    FONTE: MARTINS, 2011.
    O Gráfico 2 abaixo, representa os resultados descritos acima na Tabela 2.
    GRÁFICO 2  –  PARCELAS CORRESPONDENTES AOS CUSTOS DAS  FORMAS,
    CONCRETO, AÇO E TIJOLOS EM ALVENARIA CONVENCIONAL NO ESTUDO DE CASO –
    2011.
    image
    FONTE: MARTINS, 2011.
    No sistema construtivo em alvenaria convencional, observamos que o item que representa o maior custo são  o das formas totalizando 34% do montante  seguido pelo concreto 23%, aço 22%, e os tijolos com 21%, entretanto, não foi observada a capacidade de reutilização das formas em demais habitações, pois varia de acordo com o tratamento tido na execução.

    O Gráfico 3, representa o clímax do estudo, nele está o comparativo de custos dos sistemas abordados, que serão utilizados como base da conclusão deste artgo.
    GRÁFICO 03 – COMPARATIVO DE CUSTOS ENTRE ALVENARIA ESTRUTURAL E
    ALVENARIA CONVENCIONAL EM R$
    image
    FONTE: MARTINS, 2011.
    O gráfico mostra que o valor das formas em  representa a mais que o dobro no sistema construtivo convencional (R$ 5691,81) em relação ao sistema construtivo em  alvenaria estrutural  (R$ 2600,51),  suponha  que  o reaproveitamento dessas formas equivalha  a duas vidas (seria utilizada em dois módulos) o custo das formas cairia pela metade (R$ 2845,90), ainda assim elas teriam um custo acima do que temos na alvenaria estrutural.
    Na análise do custo com o  concreto na alvenaria convencional em relação ao conjunto (concreto+graute) utilizado na alvenaria estrutural, temos que na alvenaria estrutural temos um  custo de R$ 2.740,48  e na alvenaria convencional um custo de R$ 3740,74, novamente um custo menor da alvenaria estrutural; observa-se isso também no aço, com custo de R$ 3491,07 para a alvenaria convencional maior que R$ 2137,49 da alvenaria estrutural; tão somente os blocos apresentam uma reviravolta no quadro, mas ainda assim o valor é ínfimo quando comparado com as outras cotas de variação,sendo que representa a R$ 3644,33 para a alvenaria convencional, e 3942,88 para a alvenaria estrutural.
    Com a utilização das Tabelas 1 e 2, foi gerado o Gráfico 4 abaixo,  dos custos totais do módulo de sobrados geminados do estudo de caso.
    GRÁFICO 4 – COMPARAÇÃO DO CUSTO TOTAL – ALVENARIA CONVENCIONAL X
    ALVENARIA ESTRUTURAL EM R$
    image
    FONTE: MARTINS, 2011.
    Nessa  comparação observa-se que o custo do sistema construtivo convencional chega a 31 % a mais do que em relação ao de alvenaria estrutural, porém como ressaltado anteriormente a utilização das formas se dá em mais de uma vida, sendo assim supondo a utilização em duas vidas o custo das formas cairia pela metade e ficaria, conforme o Gráfico 6, abaixo:
    GRÁFICO 5 – COMPARAÇÃO DO CUSTO TOTAL – ALVENARIA CONVENCIONAL X
    ALVENARIA ESTRUTURAL – FORMAS C/ 2 VIDAS EM R$.
    image
    FONTE: MARTINS, 2011.
    Com a reutilização das formas em duas vidas (2x),  obtém-se  uma diminuição no custo  da obra em alvenaria convencional de R$ 16567,95 para R$ 13721,30, e também uma diminuição de 31%  a mais que tinha antes em relação a alvenaria estrutural, para 16 %. Isso demonstra como é importante o processo de  reutilização das formas, mostrando-se de vital importância como demonstrado nesse estudo.
    3. CONCLUSÃO

    O presente trabalho comprovou a redução de custos no emprego da alvenaria estrutural como sistema  construtivo em habitações populares com dois pavimentos, conforme demonstrado nos resultados e discussão. Essa redução chegou a 16% quando há o reaproveitamento das formas na obra de alvenaria convencional, e a 30% quando  isso  não  ocorre; conotando  a importância da reutilização das formas. Demonstra também  que a alvenaria estrutural  tem um potencial palpável quando comparada com a convencional, pois em todas as comparações com exceção a dos blocos apresentou um
    custo menor.
    Os resultados obtidos estão de acordo com outros estudos semelhantes desenvolvidos acerca do tema, como o da BRICKA (2011), que teve resultado de 30% e  o trabalho  OLIVEIRA (2009),  que  obteve o resultado de 20%, ressaltando também que esses resultados podem ser até mesmo maiores, devido ao  fato, de que não foram computados os desperdícios que são muito maiores nas obras em alvenaria convencional.
    A utilização da alvenaria estrutural como sistema construtivo  diminui o desperdício de madeira,  reduzindo  o custo da obra  e reduzindo  o desmatamento.
    Outro parâmetro importante é o de  rapidez na execução  do sistema em alvenaria estrutural, onde sua modulação facilita os trabalhos, por não precisar ser feitos “rasgos” nas paredes para o embutimento de tubulações elétricas e hidráulicas, assim como  os  revestimentos que podem ser feitos de maneira direta com gesso nas áreas internas.
    Além da redução do custo total da obra, é importante destacar a redução da mão-de-obra, com a drástica redução das equipes de carpinteiros e armadores.
    Por fim, a contribuição pretendida  supõe-se alcançada,  dentro da sistemática adotada e de acordo com o estudo de caso  realizado, pode-se concluir que é viável financeiramente a  utilização do sistema construtivo em alvenaria estrutural com blocos cerâmicos em habitações populares no estado do Paraná.
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